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terça-feira, 20 de abril de 2010

Dissidência CCB

IGREJA RENOVADORA CRISTÃ


A Igreja renovadora Cristã, iniciada em 1953, por um ex-cooperador, familiares e alguns irmãos da CCB, talvez seja a primeria dissidência de que se tem notícia no nosso meio.


Por ter sido fundada por membros que saíram da CCB, adota diversas doutrinas e práticas litúrgicas semelhantes. No site oficial há a seguinte declaração sobre práticas:

Liturgia / Práticas religiosas


Adota o batismo por imersão total do corpo em água: “É mandamento bíblico que assim sejas batizado: Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém” – (note que o eu/homem não aparece!), repudia o rebatismo, o exclusivismo religioso...

As irmãs só usam trajes femininos, podem tocar livremente qualquer instrumento de sua preferência e quando oram, cobrem-se com o véu. Não encontra apoio bíblico para usar aliança de noivado ou casamento, nem vestido de noiva, nem para adotar reuniões separadas para a mocidade, não faz uso de bebida alcoólica. Defende que o Ministro Religioso é vocação, não profissão, portanto todo trabalho é voluntário. Não se envolve com política. Crê nos dons do Espírito Santo. Saúda com ósculo santo. Não cobra dízimos. Dobra seus joelhos para fazer suas orações à Deus, em Nome do Senhor Jesus! São contra o uso de jóias, vaidades, televisão, jogos, festas e coisas mundanas.


Possui doutrina mais rígida do que a Congregação Cristã no Brasil. Por outro lado dá liberdade para as irmãs tocarem outros instrumentos além do órgão. Liberdade esta que as irmãs ainda aguardam na CCB.


História


Como a igreja nasce com Aldo Ferreti, necessário é recorrer ao seu testemunho para conhecer sobre esta igreja. Em 2005, ao completar 82 anos, ele escreveu seu testemunho, assim como o fez o irmão Louis Francescon, para a posteridade conhecer a origem da igreja.


Aldo nasceu na cidade italiana de Ancóna em 1909 e veio com seus pais e três irmã, para o Brasil em 1912. O destino foi o mesmo de milhares de italianos no início do século 20: São Paulo, capital.


Depois de narrar como nasceu e cresceu num lar muito triste, sem Deus, numa miséria espiritual muito grande, Aldo nos conta que se casou em 1927, com 18 anos de idade. Chegou a estudar canto lírico para tentar uma carreira artística mas, segundo ele, Deus não permitiu que este sonho se realizasse. Sua voz tornou-se rouca e ele teve que desistir da arte do canto.


Sua mãe o precedeu na CCB e vivia aconselhando-o a obedecer ao chamado de Deus. Em meio à pobreza e desemprego, Aldo se batiza em 1932. Conta o prodígio de ter feito uma pregação, pelo Espírito Santo, sete dias após seu batismo, o que lhe dá a certeza de ter recebido o seu ministério diretamente de Deus.


As palavras tornan-se amargas ao referir-se ao ministério da CCB na época, com os quais teve as maiores lutas. Como defendia uma doutrina cristã mais rígida, a impressão que passa é que durante alguns anos esteve em confronto com o ministério dos anciães. Aldo assim os descreve:

os Ministros; aqueles que aparentemente se mostram fiéis a Cristo, aos olhos dos homens, porém, na verdade, não deixam de ser o que realmente são: “nuvens sem água”, os quais, não se rendem aos ensinamentos do Divino mestre, porque são portadores de uma terrível doença, que por eu desconhecer o seu próprio nome, a chamo de : “doença do pescoço duro e indeclinável”, ou “doença do pescoço sem mola”, pois quebram-se, mas não se curvam! E assim, por serem carnais, e como tais, são obscurecidos, privados de verem a Luz da Verdade, pois não se deixam admoestar; são: “...homens corruptos de entendimento e réprobos quanto a fé” (II Timóteo 3:8).

Motivos para deixar a CCB



Aldo cita no seu testemunho dois motivos principais que o deixava incomodado e outros que ele prefere não falar. Um deles era o mundanismo que estava entrando na igreja.

via o mundo entrando na Igreja, substituindo a modéstia pelo luxo, o discreto pelo vaidoso, e o supérfluo uso de adornos pessoais –jóias verdadeiras ou falsas, conforme a possibilidade financeira de cada um - pois o que lhes interessam é ostentarem a vaidade,

O outro motivo:

não só permitem, como também usam e abusam do álcool-veneno – bebidas alcoólicas -, e por isso já lhes tem sido feitas tantas críticas, não só pelos verdadeiros cristãos, como também pelos não cristãos.


No dia 14 de maio de 1952, na reunião costumeira do ministério após o culto no Brás, Aldo Ferreti resolveu expor aos anciães todos os pontos que ele achava que a igreja estava desviada e exigiu mudanças dos anciães quanto aos temas.



Acusa os anciães de pregarem um evangelho parcial, de serem hipócritas, pregam mas não cumprem, de praticar o que era errado e tolerar a desobediência, os viciosos e idólatras dentro da igreja. Aldo foi reprovado por unanimidade e recebeu fortes críticas do ministério presente. O embate durou até a 1 hora da madrugada com Aldo insistindo nos seus pontos de doutrina e o ministério reprovando-o.



Como não houvesse acordo e o ministério não cedeu ás suas exigências, ele voltou para sua casa, em um terrível estado de prostração geral – física, mental e espiritual. Diante disso só restou-lhe deixar o ministério.



Alguns meses depois foi expedida uma circular sobre o caso Aldo Ferretti. A carta foi escrita bem ao estilo corporativo, já que Aldo acusou-os de estarem todos errados. Para Aldo Ferretti, a carta era uma tentativa de o desacreditarem publicamente e cita uma passagem onde segundo ele os anciães entravam em contradição:


“... Já à tempos vinha notando certas leviandades no povo de Deus e que os Anciãos, por respeito humano toleravam, passando por cima da Palavra de Deus. Propondo então aos irmãos Anciãos concordarem com ele, reprimindo o uso de jóias e de toda e qualquer vaidade, de outro modo ele não se congregaria mais nem voltaria em nosso meio se suas idéias não prevalecessem”.

Agora vejam como está escrito na carta:

Já à tempos vinha notando certas leviandades no povo de Deus. Propondo então aos Irmãos Anciãos concordarem com ele, reprimindo o uso de jóias e de toda e qualquer vaidade, de outro modo ele não se congregaria mais, nem voltaria em nosso meio si suas idéias não prevalecessem”.


Os irmãs Anciãos, após ouvi-lo, fizeram-lhe ver que não poderiam aceitar essa sua doutrina farisaica: dizendo-lhe também, esta é obra de Deus e Seus servos nunca por respeitos humanos, deixaram de apresentar ao povo o que Deus envia pelo Espírito Santo, o Qual tem a pá em sua mão e limpa a eira no tempo próprio.

Fragrante erro ao juntar uma frase com outra dando sentido totalmente diferente ao teor da carta. Será que ninguém revisou este texto antes de publicá-lo?


Segundo o entendimento do irmão Aldo, as recomendações de Paulo e Pedro, sobre jóias em 1 Tim 2:9 e 1 Pedro 3:3 são mandamentos e deveriam ser exigidos da irmandade. O ministério não aceitou, alegando que Deus manda a a Palavra na igreja e esta, ao seu tempo faz com que as pessoas abandonem as vaidades.

A Igreja Renovadora Cristã



Nota-se no seu testemunho uma preocupação grande em deixar claro que a IRC não foi fundada, que não é possível nomear um fundador e por fim, o fundador é Jesus Cristo. Mas os fatos que ocorreram falam por si.


Nos dias que seguiram ao seu desligamento da CCB, sua família e alguns irmãos foram solidários com ele e resolveram abandonar também a CCB.


Reuniam-se na sua casa e cantavam hinos. Com o passar dos dias resolveram fazer cultos completos com hinos, oração e pregação de palavra. Logo estavam se congregando na casa de Aldo, como uma denominação, com dias de cultos fixados.


Um irmão deste grupo inicial sugeriu o nome da nova igreja, outros elaboraram um estatuto. Em 6 de fevereiro de 1953 registraram a nova igreja. Aldo foi escolhido como primeiro presbítero, equivalente ao ministério de ancião na CCB. Foi ele quem atendeu e batizou as primeiras almas que se converteram ao evangelho pregado na nova igreja.


É patente no seu testemunho, a animosidade que ficou entre ele e sua antiga denominação. A maneira como ele se desligou, a circular, parece que fez o clima ficar tenso entre ele e a CCB, na figura do seu ministério.


Apesar das marcas deixadas por este conflito ou guerra espiritual, nosso irmão conseguiu ser vitorioso, pois continuou sendo um homem de fé, servindo a Deus, dedicando-se ao ministério da sua igreja até o fim.


A Igreja renovadora cristã se desenvolveu, como muitas outras igrejas evangélicas, ganhando almas para Cristo, seguindo as doutrinas conforme nosso irmão Aldo entendia que deveria ser.


Algumas doutrinas e liturgias parecem ser bem semelhantes à CCB, mas em outros aspectos, a igreja é rigorosa contra o que considera idolatria, como festas de aniversários, anéis noivado, alianças de casamento, vestido de noiva, as cestas de natal que as empresas doam aos funcionários no final do ano, etc.


Aldo Ferretti faleceu em 2005, COM QUASE 96 ANOS, sempre lúcido, pregando a palavra de  DEUS publicamente


Conclusão


Atualmente, muitos acusam a CCB de ser uma igreja legalista, e na internet, muitos membros criticam a doutrina sobre costumes. É interessante que em 1952, numa sociedade de costumes ainda muitos austeros, a CCB foi acusada de ser liberal, de aceitar o mundanismo.


Estudiosos de religiões não classificam a CCB como igreja legalista, por causa da flexibilidade nas doutrinas, das adaptações que há, conforme a região.


Se os anciães resolvessem mudar radicalmente várias doutrinas, será que teríamos vários irmãos se desligando para fundar outras igrejas?


É uma possibilidade. O movimento pentecostal é o que mais apresenta rupturas. Antigamente ocorriam sob a alegação de que igreja-mãe já havia se afastado das doutrinas originais ou havia se tornado liberal. Hoje, as divisões ocorrem mais por causa de dinheiro ou promoção pessoal.


Com todo o respeito pela história de vida de Aldo Ferretti, mas a separação foi bem típica das que ocorrem dentro do movimento pentecostal. Todo mundo alega possuir a inspiração, a revelação do Espírito Santo, tanto ele como os anciães da CCB. O próprio Louis Francescon saiu da sua igreja de origen por causa de uma revelação.

O problema que eu vejo que ficou aqui é que ficou uma espécie de rixa.  No primeiro estatuto da Igreja Renovadora Cristã dizia assim:

Foi por ordem do Senhor, que um grupo de irmãos pertencentes a uma denominação
Evangélica, na Capital de São Paulo, Brasil, dela se destacou, pois não era possível
permanecer nela, visto ter a mesma se degenerado, não estando de acordo com a Sã
Doutrina/O SANTO EVANGELHO DE JESUS CRISTO. I Timóteo 6: 4, 5; II Timóteo 4: 3, 4

Bem típico, não é: ordem divina e  igreja anterior se degenerado.

 Diferente das igrejas protestantes históricas que se fixam mais no texto bíblico, as pentecostais se baseiam mais em revelações, e onde cada liderança tem a sua, só resta a parte mais fraca separa-se e dar início a outra igreja, seguindo aquilo que seu líder acredita.


Infelizmente, parece que isso continuará até a volta do Senhor Jesus.




Link para o testemunho:

TESTEMUNHO DE ALDO FERRETTI

Site da Igreja: http://www.igrejarenovadoracrista.com.br

4 comentários:

Águia Pedro Lucas disse...

www.igrejarenovadoracrista.org.br

fabiola disse...

A salvação é individual,o que as pessoas fazem ou deixam de fazer não devem ser olhadas por nós!vaidades se encontram em qualquer parte,devemos seguir o exemplo de cristo!Só ele nos levará pro céu!!!muitos são chamados e poucos escolhidos:disse o nosso Deus!contruir nova igreja c/nova doutrina não afastará as vaidades das´pessoas!

Valdeci disse...

Prezados leitores, comentários desrespeitosos ou condenando a Igreja Renovadora Cristã ou outra igreja não serão publicados.

Os irmãos me perdoem, mas ~procuro respeitar a todas as denominações cristãs. Já passei daquela fase de achar que minha denominação era a única certa no mundo.

Alexandre Moreno disse...

Irmão Valdeci Ferreira, parabéns pelo seu comentário, pois você falou sobre uma dissidente da CCB sem o menor rancor. Isto prova que nem todos na CCB são sectários. Gostaria de comentar somente o finalzinho da sua postagem concordando com o seu argumento, pois infelizmente muitos dissidentes se posicionam mais como "divisores" da obra de Deus do que como multiplicadores dela, pois a maioria saem maldizendo a obra que um dia os acolheu com tanto amor. Não sou contra a dissidência porque acredito que a Igreja é Corpo e todo corpo é constituído de células que se multiplicam pela divisão. Assim, a Igreja de Cristo na terra avança se multiplicando pela divisão, mas essa divisão não deveria jamais ser motivada por calúnias, soberbas, rixas ou discórdias. Porém deveria ser motivadas exclusivamente pelo desejo de expandir o Reino de Deus. Acredito que é possível haver unidade em meio à diversidade, assim penso que nós os crente em Jesus Cristo, que procuramos seguir a Palavra de Deus, devemos respeitar-nos uns aos outros mesmo em meio as divergências de costumes ou doutrinas. Eu mesmo não sou da CCB, mas a admiro e respeito em vários pontos, embora reprovo ferrenhamente o rebatismo de crentes e o exclusivismo reinante nessa denominação, mas por outro lado, Considero e admiro muito crentes da CCB que não são sectários. Paz de Deus seja contigo e com todos os participantes deste blogger.

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