Subscribe:

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Batismo - Mikveh

Mikveh em Herodium - final do segundo
templo - 69AD
No meio cristão há muitas controvérsias a respeito do batismo, seja quanto a forma ou às palavras que devem ser pronunciadas, o significado do ato e outras questões, havendo denominações ou grupos cristãos que até dispensam atualmente o batismo, substituindo-o por uma declaração ou oração do pecador.

O batismo porém, começou antes de Jesus e o mikvah ou mikveh, é uma forma de batismo judaico que pode ser considerado a origem do batismo cristão, apesar das denominações evangélicas não gostarem desta associação.

Judaísmo


A palavra judaica para batismo é tevilah e significa imersão, que embora pudesse ser feito em um rio ou lago, era geralmente feita em um mikeveh, um tanque onde as águas foram represadas. Este tanque era um elemento essencial em uma Sinagoga e também fazia parte do templo.

Arqueólogos tem desenterrado muitos destes tanques no monte do antigo templo e são idênticos aos modernos banhos mikevah encontradas nas sinagogas de judeus ortodoxos. Ainda hoje, as mulheres ortodoxas ainda visitam o mikvah após seu fluxo mensal e, muitas vezes depois de terem relações íntimas. Homens ortodoxos vão ao mikvah para se prepararem para o Shabat e dias santos, e às vezes, mesmo o povo judeu secular vão à mikvah uma vez em suas vidas, antes do casamento.

Mikveh do Templo beth-El - Alabama - EUA
No judaísmo a própria pessoa se imerge, sem contato físico com outra pessoa, após remover roupas e jóias, e a imersão é invalidada se alguma intervenção impedir que a água atinja todas as partes do corpo.

A testemunha presente não toca naquele que vai se imergir, que se imerge totalmente colocando-se numa posição sentada ou posição fetal debaixo da água. O batismo de Jesus pode ter sido feito assim, por auto-imersão e seria a explicação da frase em Mat 3:16, dizendo que após ser batizado, Jesus saiu logo da água.


Na Lei de Moisés encontramos várias passagens com recomendações de rituais de purificação. No Monte Sinai Deus ordenou que as pessoas lavassem suas roupas como um ato simbólico de purificação. (Exo 19:10); e no livro de Levíticos há ordenanças para Araão e seus filhos se lavarem antes de entrarem na área sagrada do Tabernáculo chamada Santo dos Santos. Em Números há instruções sobre purificação após contaminação por um corpo morto. Após a menstruação a mulher deveria passar pelo ritual de purificação e aquele que fosse curado da hanseníase também deveria se purificar.

Outro uso da purificação na água que tornou-se parte da tradição judaica e ninguém sabe exatamente porque, é a imersão de novos convertidos ao judaísmo, conhecidos como prosélitos. Na Lei era exigido a circuncisão, mas pouco antes dos tempos da missão de Jesus, já havia sido instituído a prática de batismo dos prosélitos.

A imersão no mikveh tem a finalidade de purificação espiritual e nunca material, pois para esta ultima, antes do banho ritual a pessoa tinha que tomar um bom banho, lavando os cabelos, cortando as unhas e se livrando de qualquer bandagem no corpo. Nos atuais mikveh para mulheres há sempre uma atendente experiente chamada senhora mikveh para assistir a imersão e garantir que a mulher foi totalmente coberta pela água.

Ao entrar na água a pessoa morre pra si mesmo simbolicamente, e ao sair do mikveh, nasce de novo, conceito parecido que identificamos no batismo cristão. É muito importante este sentido espiritual do mikeveh, marcando a passagem de um tipo de vida para outro.

A testemunha serve para atestar o ato e aquele que vai se imergir recita a bênção do mikveh que é a seguinte:

Baruc CAA Ado-nai Elo Henu-melekh ha'olam asher v'tzivanu b'mitzvotav kideshanu ha'tevillah al.

Bendito és Tu, ó Senhor, nosso Deus, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou sobre a imersão.

No caso do prosélito, a bênção é recitada após a imersão, podendo o candidato ser imerso três vezes. Nos escritos do judaísmo há uma série de prescrições a respeito do mikveh, da construção, da água e dos ritos.


João Batista

O uso da água para purificação e consagração é um conceito comum no judaísmo e muito antigo. Devido a isso, quando João batista apareceu na Judéia pregando o arrependimento e o batismo no rio Jordão, o batismo em si não causou estranheza. Ele pregava o iminente julgamento de Deus, advertindo que Israel deveria se arrepender e ser espiritualmente renovado, e o batismo na água simbolizaria renascimento. Este batismo, porém, era uma ordem divina. O próprio João Batista afirma que Deus o mandou a batizar com água e que após ele viria um que batizaria com o Espírito Santo (1 Joa 1:29-33).

Jesus veio para ser batizado por João, não por causa de pecados, mas para cumprir toda a justiça divina.
João era um levita da linhagem sacerdotal e tinha autoridade para testemunhar a imersão de Jesus. Esta imersão de Jesus, se não era para arrependimento de pecados, era para marcar o início do ministério terreno de Jesus. Logo depois lemos que os discípulos de Jesus também batizavam, enquanto João ainda cumpria seu ministério.

Antes da sua partida Jesus ordenou: Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Segundo muitos estudiosos a tradução correta seria imergindo-as, mas há conrovérsias e muitas denominações realizam o batismo por aspersão ou ambas as formas.

Batismo cristão e mikveh

Embora haja semelhanças em alguns aspectos entre o batismo do Novo testamento e a imersão ritual dos prosélitos no judaísmo, é preciso salientar que há diferenças importantes e fundamentais. Uma delas é que ao prosélito é requerido a oferta de sacrifícios, que não podem ser oferecidos porque os judeus não tem mais o seu templo. Desta forma são dispensados desta prática até que se tenha um novo templo judeu.

O batismo cristão também requer sacrifício e não estão dispensados deste sacrifício, que foi cumprido, de uma vez por todas em Jesus Cristo na cruz. O batismo ou a imersão realizada pelos cristãos são precedidos pela fé (crer) e pelo sacrifício de Jesus. Deus enviou o Messias Salvador antes que o templo fosse completamente destruído, para que Ele pudesse expiar o pecado de uma vez por todas, e assim todos os que Nele cressem não ficariam sem o sacrifício aceitável diante de Deus.

Da mesma maneira não há necessidade de circuncisão para poder servir a Deus através de Jesus, pois no momento em que a pessoa crê, opera-se a circuncisão no coração, como descrito por Paulo aos colossenses.

Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade;
E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade;
No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo;
Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.

E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. (Col 2:9-14)

Este texto não representa toda a visão cristã sobre o batismo e nem pretende esclarecer todas as apolêmicas que há a respeito do batismo, mas apenas despertar para a grande herança que o cristianismo tem do judaísmo.

1 comentários:

Anônimo disse...

Em N.Y, há rabinas. vi um mikavê. Os filhos de Ismael também lavam as mãos no mikavê.
Mas haverá batismos de fogo: línguas, visão...
Como é em NY? Onde está sinagogas progressivas, mais número de judeus?
Circuncisão é para homens.
Atensiosamente.
Cristiane.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...