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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

CCB e o anti-personalismo

Uma característica peculiar à Congregação Cristã é o anti-personalismo. É não aparecer o EU na realização de qualquer serviço religioso. Enquanto em alguns segmentos se destaca tanto a figura do ministro, havendo até uma busca por títulos para serem reconhecidos como grandes líderes, na CCB há um empenho em permanecerem invisíveis, deixando sempre Deus aparecer.

Se um pregador faz uma bela pregação, recebida com satisfação pelos ouvintes, expressa através de muitos louvores de alegria e fervor religioso, este tal nunca deve se exaltar, achando que foi por seus méritos que aquilo aconteceu, mas dar toda glória a Deus, pois é Ele Quem dá os dons para edificação da igreja.

Os membros por sua vez, acreditam que tudo o que ouviram veio de Deus e o pregador foi um simples vaso ou instrumento nas mãos divinas. Não se parabeniza o pregador pela bela pregação, por mais feliz que se esteja com o que ouviu, mas elevam-se louvores unicamente a Deus.

Quando um membro levanta-se para contar para a igreja uma bênção recebida através da pregação, não pode citar o nome do pregador. Aprendemos que devemos glorificar a Deus que tudo realiza por Sua  infinita misericórdia e quem pregou não é importante. Importante é o que Deus falou e realizou, a Ele seja sempre dado toda a glória.

O pregador usado por Deus, tem consciência de que jamais poderá massagear o seu ego, inchando-se e achando que é ou tem alguma coisa, sob pena de desagradar a Deus, podendo terminar sua carreira tristemente. Isto é fato já constatado nos muitos anos de existência da igreja.

Os membros são aconselhados a não correrem atrás de pregadores, mas esperar em Deus, mas sabemos que muitos correm atrás de pregadores considerados mais cheios dos dons. O problema é quando algum pregador é tomado pelo orgulho e começa a pregar de si mesmo, por vaidade ou vanglória e isso não termina bem.

Por conta deste anti-personalismo o ministério é aconselhado também a não anunciar antecipadamente ministros visitantes criando expectativas nos membros e aglomerações, e no momento da pregação espontânea não deve insistir para alguém em especial pregar, deixando de lado as honrarias humanas, quando se trata de serviço espiritual.


Origem

O anti-personalismo na CCB não é uma invenção dos anciães brasileiros, mas foi herdado do próprio irmão Louis Francescon. No seu testemunho ele conta que aovoltar da Itália encontrou alguns de seus companheiros italianos em contendas, "cheios de si", o que o levou a separar-se deste grupo por alguns anos. Antes do avivamento, ele já sabia que o homem não tinha que se aparecer.

Mais tade, com o avivamento pentecostal, aqueles italianos de Chicago experimentaram o grande poder de Deus nas suas vidas, contemplando obras e maravilhas e falando novas línguas. A maioria deles eram pessoas pobres, de pouca instrução secular, que de repente se viram tomados por um grande poder espiritual para pregar o evangelho e dali partiram cerca de vinte italianos missionários para vários países. Não era capacidade humana, mas Deus na vida deles.

A partir desta constatação temos duas conseqüências diretas: a primeira é este anti-personalismo. O homem é apenas um vaso nas mãos de Deus, vaso para honra. Temendo perder todo aquele poder recebido, eles  procuravam diminuir sempre o papel do homem para que Deus continuasse operando no meio deles.

Outra conseqüência foi a rejeição aos estudos teológicos, que deve ser vista dentro deste contexto em que eles temiam perder a guia e a revelação do Espírito Santo, a medida que começassem a estudar sistematicamente a Palavra de Deus.

Com o passar dos anos,  a maioria das igrejas formadas do movimento pentecostal italiano se organizaram como denominação, abandonando muitas das características iniciais. Louis Francescon permaneceu fiel aquela concepção original de cristianismo adotando unicamente a Bíblia e sendo congregacionalista ferrenho até o fim, o que o levou a se isolar do restante do movimento.

Louis Francescon continuou a aconselhar os anciães da CCB até sua morte em 1964, e a Congregação herdou dele esta firme convicção de que tudo que o homem faz nesta obra deve ser guiado pelo Espírito Santo e o servo de Deus não deve fazer nada de si mesmo, nem porque é chamado ou incentivado por outros. Deixando Deus guiar, apenas o Nome do Senhor Jesus é glorificado.

Francescon, um homem de muita fé e sabedoria diz numa carta que era sempre convidado para ir em outras Congregações perto ou longe de Chicago, mas ele sempre orava para que Deus o guiasse. Não tinha interesse em se aparecer no meio evangélico e se Deus não mandava ele preferia ficar quieto na sua casa.

Numa outra de suas cartas Louis Francescon escreveu:

“Pode ser que esta seja minha ultima carta para estas reuniões anuais; eu me sinto livre perante todos vós, porque vos tenho servido fielmente naquele pouco conhecimento que o Senhor me tem confiado. Nunca busquei o que é meu, porém só esforcei-me em achar-me aprovado do Senhor, como Seu servo, e nada mais. Tenho considerado a Sua rica graça que Ele quis doar-me com os Seus eleitos; apreciando-a acima de todas as coisas deste mundo; boas oportunidades me foram apresentadas nas cousas desta vida, para usufruí-las, porém não estando elas de acordo à Palavra de Deus, pelo Seu temor as recusei e nunca me faltou o pão de cada dia.”

2 comentários:

Águia Pedro Lucas disse...

Na CCB os Anciãos dizem: "Irmão, EU te batizo em Nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo" _ Veja que aparece o homem, o EU. Na Renovadora os Presbíteros dizem: "Irmão, é mandamento bíblico que assim sejas batizado: Em NOme do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém!" - Veja que, pelo entendimento que Deus nos deu, o homem não aparece, só o Senhor!

Valdeci disse...

Caro irmão, só pra esclarecer, o batismo na CCB é na forma chamada "conciliatória": Irmão (ou irmã): Em nome de Jesus Cristo te batizo. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!” - (Atos 2:38 e S. Mateus, 28:19).

Eu respeito a maneira como vcs fazem, assim como respeito o da CCB. Não entro nesta questão de fórmulas, pois cada grupo tem uma justificativa que julga correta. O importante é crer, se arrepender e morrer o velho homem nas águas do batismo.

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