Subscribe:

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Giuseppe Petrelli

GIUSEPPE PETRELLI


Valdeci Ferreira

Giuseppe Petrelli estava entre os principais líderes do Movimento Pentecostal Italiano, em Chicago, no início do século XX, e teve grande influência na comunidade evangélica italiana. Advogado, Jornalista, teólogo, escreveu vários livros e como pregador itinerante, dedicou-se em levar também a mensagem pentecostal ao mundo.

Infelismente só conhecemos Petrelli como o causador de um grande cisma na Igreja Assemblea Cristiana de Chicago, por causa das suas idéias a respeito da validade dos preceitos emitidos na Assembléia de Jerusalém, no primeiro século.

Não há como negar, porém, conhecendo um pouco mais sobre este grande líder evangélico italiano, que ele teve um chamado de Deus para o servir e  procurou cumprir sua missão até o final d asua vida. 

As principais lideranças do movimento pentecostal italiano no início do século 20 eram leigas, sem formação secular,  Petrelli era totalmente o contrário e portanto, podemos supor que tenha encontrado muita resistência entre seus  companheiros. Mas a sua biografia demonstra que ele foi um servo de Deus dedicado ao evangelho, a altura de Louis Francescon, Micheli Nardi e outros.

Noepoli, Potenza - Itália

Biografia

Giseppe Petrelli nasceu na pequena comuna de Noepoli, província de Potenza, sul da Itália, em 27 de dezembro de 1876, filho de Pasquale Petrelli e Egisia Santomartino, de família rica e talvez nobre, e muita devota a Igreja Católica. Tendo nascido doente, sua mãe fez uma promessa a Deus, se ele fosse curado, ela o consagraria a Ele. O Senhor atendeu seu desejo, de cumprir sua promessa. Sua mãe, no entanto, morreu quando ele ainda era pequeno.

Ainda jovem, Petrelli se formou em 1893 e iniciou uma brilhante carreira como advogado e jornalista. Durante vários anos trabalhou como jornalista em um dos mais importantes jornais da Itália, "Il Corriere di Napoli".

No exercício da profissão de advogado, um evento aconteceu que mudou o curso de sua vida. Durante um caso na corte de Roma, Petrelli assistiu a uma profunda injustiça perpetrada por agentes da lei. Ele deixou o tribunal chocado e triste e, andando no caminho de volta pra casa, ouviu um sermão, numa igreja cujas portas estavam abertas, por ser época de verão.

Relativo a este acontecimento, Petrelli relatou: “Segue meu testemunho pessoal: A primeira vez que ouvi a mensagem do Evangelho, ouvi de um velho pastor escocês, pregando em italiano o assunto sobre a ressurreição de Lázaro. A repetição das palavras: "Jesus é a Ressurreição e a Vida", foi o que ele repetia e eu acreditava sinceramente, e esta foi minha opinião sobre aquela mensagem naquele momento. Não me enganava sobre a sinceridade daquele que pregava. Só uma alma convicta pode ser usada para convencer os outros. Eu estava acostumado a dizer grandes coisas com voz falsa, o maior inimigo da verdade. Um tolo não serve para falar coisas magníficas”. Como resultado, começou a participar de uma Igreja Batista, abraçando a fé em Jesus Cristo (embora já trazia isso desde criança).

Durante este período deixa a profissão de advogado e jornalista, para atender ao seu chamado celestial. Nos primeiros anos do seu ministério, doou sua notável e vasta herança para os pobres e necessitados, começando uma vida de fé e abnegação.

Em 1905 recebe um passaporte válido por três anos para Nova York, depois disso, ele embarcou para os Estados Unidos, onde viveu até a sua morte.

Nos Estados Unidos recebe uma cadeira ministerial em uma das maiores Igrejas Batistas de Nova York, e uma das maiores entre aqueles italianos na América, onde ficará de 1905 até 1915.

Durante este período, atendeu com competência como um pastor e ministrava aulas sobre as Sagradas Escrituras. Nesta época também conheceu e se casou com sua irmã em Cristo, Isabella. Dessa união nasceram duas lindas e santas filhas, que será a luz em seus olhos, mas, infelizmente, morrem em tenra idade.

Em Outubro de 1915, um grande evento acontece em sua vida: O Senhor batiza-o com o Espírito Santo. Depois de um tempo entra no movimento pentecostal, no qual, por mais de quarenta anos, vai oferecer os seus serviços a muitas igrejas nos Estados Unidos e Canadá, mas nunca assumir o pastorado de uma igreja, tornando-se mais livre e independente de compromissos a fim de melhor cumprir o seu ministério.

Foi missionário na Argentina e no Brasil onde esteve três vezes nos anos 1921-22, 1932 e 1937, onde segundo Leo Alves (1), deixou sua maior influencia no estilo de pregacao da CCB (o ir.Francescon pregava mais de forma expositoria), evangelizou seu irmão o Engenheiro Leonardo Petrelli que na época morava em Curitiba. Retornando após estas viagens, entre outros serviços que realizou, continuou a ministrar aulas sobre as Sagradas Escrituras, semanalmente, na cidade de Belleville e Jersey City, por mais de vinte anos.

Sua amada esposa Isabella morreu em março de 1947. Após este acontecimento doloroso, ele foi acolhido no lar amoroso do Pastor G. Grinelli, em Belleville, Nova Jersey, onde permaneceu até sua morte.

Em 13 de fevereiro de 1957, nas primeiras horas da manhã, Petrelli deixou esta terra, para encontrar-se com o Senhor. Apesar das polêmicas levantadas por seus escritos e da controvérsia com Louis Francescon, notamos que Petrelli serviu a Deus durante toda a sua vida, como fora o desejo da sua mãe prometendo consagrá-lo ao Senhor, deixando extensa obra literária sobre diversos temas da Palavra de Deus.

Escritor

Petrelli foi um escritor profícuo, deixando uma grande obra literária. Logo que assumiu o cargo de pastor na Igreja Batista de Nova York, escreveu seus primeiros três livros: "Cristo por fé", "Simão Pedro" e "David e o pecador penitente", (que então seria publicado na revista mensal " Il Re ed il Regno", em 1929-'30).

Após ser batizado com o Espírito Santo em 1915, escreve o livro “O Filho do Homem”.

Em 1929-1931 publica um periódico mensal em língua italiana com o título “Il Re ed il Regno” (O Rei e o Reino), e depois de 1930 em italiano e inglês. Nesta época escreve “A Igreja de Cristo” e “O Filho do Homem”.

Publica nos estados Unidos em 1945 a revista mensal A Diferença, em italiano e inglês, que será enviada a Itália, devido aos insistentes pedidos de muitos irmãos. Inicia também uma longa e frutífera correspondência com a irmã Aida Chauvie, de Torre Pellice, da Igreja Valdese da Itália. Sem nunca se encontrarem, Aida Chauvie estabelecerá uma ligação espiritual profunda com Petrelli, o que resultará na publicação das suas obras na Itália até hoje.

Com a ajuda de manuscritos enviados por Petrelli, é publicado na Itália o periódico “O Reino de Deus” (Torre Pelice, Torino). Após sua morte ela se torna sua herdeira espiritual, por todo seu trabalho em publicar seus escritos. Seus últimos livros, no ano da sua morte, foram: “Como no Céu" e "Das trevas à luz”.

As receitas das publicações e livros escritos por Petrelli foram doados à caridade. Quando já no final da sua vida uma irmã francesa pediu permissão para traduzir seus escritos para o francês, ele respondeu: “Escritos não são meus, mas do Senhor, salvo em pobres composições. Então, traduza.”

As idéias de Petrelli inspiraram uma série de igrejas e comunidades em regiões específicas da Itália, graças a este trabalho de divulgação dos seus escritos, feito por Ainda Chauvie, a partir da revista “O Grão de Mostarda” de Torino, continuação da revista “O Reino de Deus”. Aida faleceu em 1962, mas seu trabalho foi continuado por Antonio Barnabei.

Giuseppe Petrelli
Teologia de Petrelli

No seu trabalho sobre o Movimento pentecostal Italiano, Josué Giamarco (2)  aponta que Petrelli, ao expor sua teologia, com forte tendência para o quietismo e o antinomismo e que dava uma interpretação mística sobre a igreja: não apenas distinguia entre igreja visível e invisível, mas defendia ser essa a igreja verdadeira, composta apenas de um remanescente fiel, do qual a maior parte dos crentes não faz parte, e da qual os membros se fazem conhecer por não serem prezados e nem compreendidos pela maioria dos crentes.

Esse primeiro posicionamento entrava em choque com o pensamento de Francescon e outros anciães que não aceitava a divisão dos cristãos nascidos de novo em duas categorias e principalmente não aceitava a existência de uma elite no âmbito da Igreja.

Outra característica das pregações de Petrelli era o uso de alegorias para explicar argumentos bíblicos, e isto o fazia parecer muito espiritual. Para outros, porém, este método obscurecia o sentido literal das Escrituras.

Disputa e divisão

Petrelli foi a causa duma divisão no Movimento pentecostal italiano, pois ele alegou que a proibição de comer sangue de animais, confirmada pela Assembleia de Jerusalém no primeiro século dC, era ultrapassada , de modo que se poderia comer animais sufocados. Tudo começou quando um crente foi pedir conselhos a Petrelli sobre como se comportar diante da proibição de comer sangue e carne sufocada, e a resposta de Petrelli foi que poderiam comer, porque nas palavras de Cristo não havia nada afirmando que algo de fora do homem, pudesse entrar nele e contaminá-lo.

Louis Francescon tenazmente se opôs a interpretação arbitrária de Giuseppe Petrelli, e escreveu uma carta circular para todas as Igrejas do Movimento pentecostal Italiano, intitulada: " Risposta a Giuseppe Petrelli “, onde explicava que as determinações escritas em Atos 15:20 não eram uma norma apenas para o tempo dos apóstolos, mas para toda a Igreja cristã, em todo o tempo, para sempre. Louis Francescon proíbe os irmãos no Brasil de lerem os escritos de Petrelli.

A disputa levou Louis Francescon, em 1925, junto com outros irmãos a retirar-se da Assemblea Cristiana de Chicago, que preferiu seguir as idéias de Petrelli, sob a lederança de Menconi. Louis Francescon fundou uma segunda comunidade pentecostal italiana, que tomou o nome de " Congregazione Cristiana di Chicago’.

Esta divisão teve repercussão na Itália, porque diferentes comunidades isolaram-se do restante do movimento, aceitando os argumentos de Petrelli. Provocou também a convocação da primeira Assembléia das igrejas do movimento pentecostal italiano em 1927, onde ficou definido um credo doutrinário: Os doze artigos de fé, que a CCB e outras igrejas ainda seguem.

Segundo Leo Alves (1), que pesquisou e escreveu um livro sobre as origens da CCB, em 1945, Louis Francescon e Giuseppe Petrelli, ambos mais maduros e dotados pela humildade dada pelo Espírito Santo, se reconciliaram em uma reunião histórica em Chicago.

Conclusão

Petrelli foi um homem de Deus dedicado, evangelista itinerante sem se prender a organização eclesiástica e da mesma forma que Louis Francescon, desapegado das riquezas desta vida, movido por um profundo amor pelo Evangelho e pelas almas.

Nascera rico,  numa Itália onde a maioria da população padecia de muita miséria e com 18 anos já estava formado nos estudos seculares. Está é outra faceta deste homem que doou sua herança aos pobres, deixou a profissão de advogado e dedicou sua vida ao Evangelho. Somente alguém que recebera um chamado divino poderia ter esta trajetória de vida.

http://www.comumccb.blogspot.com/

Fontes:
 
http://butindaro.wordpress.com/
http://www.chiesadiercolano.it/Sito_chiesa/Sito_ercolano/petrelli.html
 
(1)Apologética CCB: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=18735090
 
(2) http://comumccb.blogspot.com/2010/07/movimento-pentecostal-italo-americano.html

2 comentários:

Daniel disse...

Pelo que entendi, Petrelli era o que a CCB é hoje, exclusivista, o que demonstra que se vivo, Francescon não seria da CCB.

Valdeci disse...

Irmão Daniel, pelo que eu entendo, a doutrina de Petrelli era considerada liberal por Francescon, porque ele pregava o quietismo, segundo o qual a santificação depende mais de Deus operando em nós, enquanto Francescon defendia que cada um tem que se esforçar para ser santo, daí o choque.
Pra mim a CCB herda a visão de Francescon em tudo, daí todas as consequencias que nós sabemos, com a valorização mais da aparencia de crente do que "ser crente" de verdade.
Deus te abençoe.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...