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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

NEM BURRO E NEM BOI


Nem burro, nem boi e nem qualquer outro animal tem lugar no presépio. Isso é o que afirma o papa Bento XVI no seu novo livro, lançado recentemente e que trata da infância de Jesus. A afirmação vem quando em todo o mundo, começam a ressurgir os presépios com todas a sua representação mítica.

Bento XVI combina teologia, história, linguística e até astronomia para interpretar os Evangelhos de Mateus e Lucas, que são os evangelhos que dão detalhes da vida de Jesus, antes e depois do nascimento. O objetivo é separar a verdade do mito, reforçando a fé dos cristãos a respeito da vida de Cristo.


O papa diz que os animais presentes no nascimento de Cristo são provavelmente, uma invenção hebraica do século VII aC, conforme descrito no Livro de Habacuque. Habacuque foi o oitavo livro entre os chamados “12 profetas menores do Antigo Testamento” e é considerado como um profeta que previu o nascimento de Cristo.

A citação a que o papa se refere em Habacuque 3:2,diz: "No meio de duas bestas será conhecido" - e esta era uma das fontes que inspiraram a presença das criaturas na manjedoura. Esta citação só é encontrada na versão bíblica conhecida como Septuaginta. Em todas as outras versões, incluindo a João Ferreira de Almeida, não existe esta citação.

Outro profeta do Antigo Testamento, Isaías, também inspirou o cenário da manjedoura, com suas palavras em Isa 1:3: "O boi conhece o seu dono, e um burro, manjedoura de seu mestre".
No entanto, o Papa está convencido que, apesar de desmentir a teoria, a tradição está aqui para ficar, dizendo: 'Nenhum presépio vai desistir de seu boi e jumento ", disse ele.

Este livro é o terceiro volume de uma trilogia escrita pelo papa, dedicado à Cristo, onde ele reafirma um ponto  fundamental não apenas para católicos, mas para todos os cristãos:  Jesus fora concebido por obra e graça do Espírito Santo e nasceu da Virgem Maria. Bento XVI, no entanto, não segue Santo Agostinho, que escreveu que Maria fez voto de castidade e instruiu José a protegê-la. Segundo Bento XVI, esta reconstrução dos acontecimentos “está fora do mundo judaico na época do nascimento de Jesus”. 

Outros pontos sobre o nascimento e que são abordados no livro:
  • A estrela de Belém era provavelmente uma supernova. Estrelas não ficam mudando de lugar e não surgem em uma cidade e em outra não.
  • Os anjos nunca cantaram aos pastores para anunciar o nascimento de Cristo
  • Jesus teria nascido alguns anos antes do que o calendário cristão marca como ano do seu nascimento.
  • Os "reis magos" não eram três e nem eram reis, mas sábios astrólogos que a Bíblia não diz os nomes.  
  • Jesus não nasceu em 25 de dezembro, que era o dia da festa pagã para o deus romano Mitra.
  • Jesus não nasceu no inverno com neve, pois os pastores estavam no campo. Provavelmente era época de parição na primavera.
  • O local do nascimento pode não ter sido uma manjedora. Apenas dois evangelistas falam sobre o nascimento e Mateus  chama o local de casa. 

Para nós evangélicos, não surpreende estas afirmações do papa, pois acreditamso apenas na Bíblia. Para os católicos, não altera em nada, pois a Igreja Católica vive da tradição. Alguns comentaristas afirmam, porém, que não é comum tais afirmações, partirem de uma figura como o papa, que é um teólogo e assina o livro com seu próprio nome.

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